Esta canção veio-me à memória quando estava a escrever uma resposta ao comentário no meu post anterior da nossa leitora Blondewithaphd, que tinha inteira razão ao referir que a canção "O canto dos resistentes" evoca mais a clivagem França/Alemanha do que o anti-nazismo, que está apenas indirectamente subjacente na letra.
Existem alguns hinos verdadeiramente anti-nazis, anti-holocausto, pelo que sei todas posteriores ao horror. Esta é uma das canções que verdadeiramente não nos deixa esquecer o massacre, que não pode ser como alguns estupidamente pretendem ser classificados como "petite histoire". É propositadamente que não cito o nome desse sr., nem lhe coloco maíuscula no "s" que ele não merece mais do que o anonimato.
Esta canção de Ferrat data de 1963 e com ela ganhou o "Grand Prix du Disque". Jean Ferrat é um cantor que infelizmente está um pouco afastado do circuito comercial, em grande parte porque não se conforma as regras da música de plástico. Foi responsável como veremos pela popularização da grande poesia francesa (juntamente com Ferré) ao musicar e interpretar poemas de Aragon por exemplo.
Pode ouvir esta canção aqui.
Ils étaient vingt et cent, ils étaient des milliers
Nus et maigres, tremblants, dans ces wagons plombés
Qui déchiraient la nuit de leurs ongles battants
Ils étaient des milliers, ils étaient vingt et cent
Eles eram vinte e cem, eles eram milhares
Nus e magros, tremendo, naqueles vagões de chumbo
Que rasgavam a noite com as suas unhas batendo
Eles eram milhares, eles eram vinte e cem.
Ils se croyaient des hommes, n'étaient plus que des nombres
Depuis longtemps leurs dés avaient été jetés
Dès que la main retombe il ne reste qu'une ombre
Ils ne devaient jamais plus revoir un été
Achavam-se homens, mas já eram apenas sombras
Há muito os seus dados tinham sido lançados
Assim que a mão cai, apenas resta uma sombra
Eles não iriam nunca mais ver novo Verão.
La fuite monotone et sans hâte du temps
Survivre encore un jour, une heure, obstinément
Combien de tours de roues, d'arrêts et de départs
Qui n'en finissent pas de distiller l'espoir
A fuga monótona e sem pressa do tempo
Sobreviver apenas mais um dia, uma hora, obstinadamente
Quantas voltas as rodas dariam, quantas paragens, quantas partidas
Que não acabariam de destilar a esperança
Ils s'appelaient Jean-Pierre, Natacha ou Samuel
Certains priaient Jésus, Jéhovah ou Vichnou
D'autres ne priaient pas, mais qu'importe le ciel
Ils voulaient simplement ne plus vivre à genoux
Chamavam-se João-Pedro, Natacha ou Samuel
Alguns rezavam a Jesus, Jeová ou Vishnou
Outros não rezavam mas que importa o céu
Se queriam apenas não viver de joelhos
Ils n'arrivaient pas tous à la fin du voyage
Ceux qui sont revenus peuvent-ils être heureux
Ils essaient d'oublier, étonnés qu'à leur âge
Les veines de leurs bras soient devenues si bleues
Não chegavam todos ao fim da viagem
Os que voltaram podem eles ser felizes
Eles que tentam esquecer, espantados que na sua idade
As veias dos seus braços se tenham tornado tão azuis
Les Allemands guettaient du haut des miradors
La lune se taisait comme vous vous taisiez
En regardant au loin, en regardant dehors
Votre chair était tendre à leurs chiens policiers
Os Alemães vigiavam no alto das torres
A lua calava-se como voçês se calavam
Olhando ao longe, olhando para fora
A vossa carne era tenra para os seus cães policia.
On me dit à présent que ces mots n'ont plus cours
Qu'il vaut mieux ne chanter que des chansons d'amour
Que le sang sèche vite en entrant dans l'histoire
Et qu'il ne sert à rien de prendre une guitare
Dizem-me agora que estas palavras já não se dizem
Que é melhor cantar apenas canções de amor
Que o sangue seca depressa quando entra na história
E que não serve de nada pegar numa guitarra
Mais qui donc est de taille à pouvoir m'arrêter ?
L'ombre s'est faite humaine, aujourd'hui c'est l'été
Je twisterais les mots s'il fallait les twister
Pour qu'un jour les enfants sachent qui vous étiez
Mas quem é que pode fazer-me parar ?
A sombra fez-se humana hoje é Verão
Twistaria as palavras se fosse necessário
Para que um dia as crianças saibam quem voçês eram.
Vous étiez vingt et cent, vous étiez des milliers
Nus et maigres, tremblants, dans ces wagons plombés
Qui déchiriez la nuit de vos ongles battants
Vous étiez des milliers, vous étiez vingt et cent
Eles eram vinte e cem, eles eram milhares
Nus e magros, tremendo, naqueles vagões de chumbo
Que rasgavam a noite com as suas unhas batendo
Eles eram milhares, eles eram vinte e cem.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
Yves Montand - Le Chant des Partisans
Há algumas canções que nos ficam na memória pelo poder da música. Outras pelo poder da letra. Outras pela conjugação das duas. Outras ainda pela força interior que libertam. Esta canção por Yves Montand, que esteve longe de ser o seu primeiro interprete, aliás a sua interpretação é bastante posterior à utilização e intenção original da canção, canto de resistência ao ocupante Nazi.
Não obstante e talvez precisamente por isso a versão de Montand faz com que esta canção ganhe uma relevância que transcende esse período na história passando a ser uma canção de resistência a todo o tipo de invasão, a todo o tipo de imposição. As palavras se tomadas no sentido literal são obviamente violentas. Não as subscrevo nesse sentido (embora no contexto em que foram utilizadas fossem perfeitamente legítimas), entendo estas palavras no sentido metafórico, porque a resistência não implica forçosamente as armas: Significa isso sim coragem.
Oiçam aqui a canção. A letra é de Joseph Kessel e Maurice Druon . Joseph Kessel viria a fazer parte da Academia Francesa de Letras, estudei pelo menos um livro dele "Le Lion" um livro que recomendo. A música é de Anne Marly de origem russa (nasceu em S. Petersburgo e chamava-se Anna Betoulinski). Esta canção foi aliás originalmente escrita em Russo e depois traduzida e adaptada para Francês pelos dois autores já citados.
Le Chant des Partisans (A canção dos Resistentes)
Ami, entends-tu
Le vol noir des corbeaux
Sur nos plaines?
Ami, entends-tu
Les cris sourds du pays
Qu'on enchaîne?
Ohé! partisans,
Ouvriers et paysans,
C'est l'alarme!
Ce soir l'ennemi
Connaîtra le prix du sang
Et des larmes!
Amigo, ouves
o voo negro dos corvos
nas nossas planícies?
Amigo, ouves
os gritos surdos do país
que acorrentam?
Oh resistente,
Operários e Camponeses,
É o alarme!
Esta noite o inimigo
Conhecerá o preço do sangue
e das lágrimas!
Montez de la mine,
Descendez des collines,
Camarades!
Sortez de la paille
Les fusils, la mitraille,
Les grenades...
Ohé! les tueurs,
A la balle et au couteau,
Tuez vite!
Ohé! saboteur,
Attention à ton fardeau:
Dynamite!
Subam das minas
Desçam das colinas
Camaradas!
Tirem dos fardos de palha
As espingardas, as munições,
as granadas
Matadores,
com balas e com facas,
matai depressa!
Sabotador!
Cuidado com o teu fardo
Dinamite!
C'est nous qui brisons
Les barreaux des prisons
Pour nos frères,
La haine à nos trousses
Et la faim qui nous pousse,
La misère...
Il y a des pays
Ou les gens au creux de lits
Font des rêves;
Ici, nous, vois-tu,
Nous on marche et nous on tue,
Nous on crève.
Somos nós que quebramos
as barras das prisões
para os nossos irmãos,
o ódio que nos persegue
a fome que nos empurra
A miséria ...
Há países onde na cama
as pessoas sonham;
Aqui, nós, vê-la tu,
Nós marchamos e matamos
nós morremos.
Ici chacun sait
Ce qu'il veut, ce qui'il fait
Quand il passe...
Ami, si tu tombes
Un ami sort de l'ombre
A ta place.
Demain du sang noir
Séchera au grand soleil
Sur les routes.
Sifflez, compagnons,
Dans la nuit la Liberté
Nous écoute...
Aqui cada um sabe
o que quer, o que faz
quando passa ...
Amigo se tu caíres
Outro amigo sai da sombra
No teu lugar.
Amanhã o sangue negro
secará ao sol
nas estradas
assobiai, companheiros,
Na noite a liberdade,
ouve-nos ...
Não obstante e talvez precisamente por isso a versão de Montand faz com que esta canção ganhe uma relevância que transcende esse período na história passando a ser uma canção de resistência a todo o tipo de invasão, a todo o tipo de imposição. As palavras se tomadas no sentido literal são obviamente violentas. Não as subscrevo nesse sentido (embora no contexto em que foram utilizadas fossem perfeitamente legítimas), entendo estas palavras no sentido metafórico, porque a resistência não implica forçosamente as armas: Significa isso sim coragem.
Oiçam aqui a canção. A letra é de Joseph Kessel e Maurice Druon . Joseph Kessel viria a fazer parte da Academia Francesa de Letras, estudei pelo menos um livro dele "Le Lion" um livro que recomendo. A música é de Anne Marly de origem russa (nasceu em S. Petersburgo e chamava-se Anna Betoulinski). Esta canção foi aliás originalmente escrita em Russo e depois traduzida e adaptada para Francês pelos dois autores já citados.
Le Chant des Partisans (A canção dos Resistentes)
Ami, entends-tu
Le vol noir des corbeaux
Sur nos plaines?
Ami, entends-tu
Les cris sourds du pays
Qu'on enchaîne?
Ohé! partisans,
Ouvriers et paysans,
C'est l'alarme!
Ce soir l'ennemi
Connaîtra le prix du sang
Et des larmes!
Amigo, ouves
o voo negro dos corvos
nas nossas planícies?
Amigo, ouves
os gritos surdos do país
que acorrentam?
Oh resistente,
Operários e Camponeses,
É o alarme!
Esta noite o inimigo
Conhecerá o preço do sangue
e das lágrimas!
Montez de la mine,
Descendez des collines,
Camarades!
Sortez de la paille
Les fusils, la mitraille,
Les grenades...
Ohé! les tueurs,
A la balle et au couteau,
Tuez vite!
Ohé! saboteur,
Attention à ton fardeau:
Dynamite!
Subam das minas
Desçam das colinas
Camaradas!
Tirem dos fardos de palha
As espingardas, as munições,
as granadas
Matadores,
com balas e com facas,
matai depressa!
Sabotador!
Cuidado com o teu fardo
Dinamite!
C'est nous qui brisons
Les barreaux des prisons
Pour nos frères,
La haine à nos trousses
Et la faim qui nous pousse,
La misère...
Il y a des pays
Ou les gens au creux de lits
Font des rêves;
Ici, nous, vois-tu,
Nous on marche et nous on tue,
Nous on crève.
Somos nós que quebramos
as barras das prisões
para os nossos irmãos,
o ódio que nos persegue
a fome que nos empurra
A miséria ...
Há países onde na cama
as pessoas sonham;
Aqui, nós, vê-la tu,
Nós marchamos e matamos
nós morremos.
Ici chacun sait
Ce qu'il veut, ce qui'il fait
Quand il passe...
Ami, si tu tombes
Un ami sort de l'ombre
A ta place.
Demain du sang noir
Séchera au grand soleil
Sur les routes.
Sifflez, compagnons,
Dans la nuit la Liberté
Nous écoute...
Aqui cada um sabe
o que quer, o que faz
quando passa ...
Amigo se tu caíres
Outro amigo sai da sombra
No teu lugar.
Amanhã o sangue negro
secará ao sol
nas estradas
assobiai, companheiros,
Na noite a liberdade,
ouve-nos ...
Etiquetas:
Le Chant des Partisans,
Yves Montand
domingo, 25 de janeiro de 2009
Boris Vian - Le Deserteur
Numa altura em que nos dizem que a violência combate-se com ainda mais violência, numa altura em que depois de caído um muro se erguem outros dois, esta canção parece demasiado simples. Porém é só aparência. Porque não é obviamente fácil ou simples não reagir ao mal que nos fazem pagando na mesma moeda. Simples, isso sim, é pegar em armas e resolver pela força.
Não significa isto que por vezes não seja absolutamente necessário optarmos por essa via (a história mostra-nos infelizmente que há casos em que é assim), significa antes que sempre que nos digam que os fins que pretendemos atingir justificam os meios que utilizamos, sobretudo quando se sublinha "é a ÚNICA maneira" devemos sempre desconfiar. Os meios têm de ser sempre justos por si próprios, nunca função do fim a que nos propomos.
Esta canção escrita em 1954 é uma canção contra a Guerra da Argélia. Boris Vian (1920-1959) é um autor de canções e de poesia relativamente pouco conhecido. A Espuma dos Dias um romance simultaneamente de ficção cientifica e prosa poética é possivelmente a sua obra mais conhecida. Esta canção de todas as que escreveu é possivelmente a mais interpretada tendo inclusivamente conhecido uma versão portuguesa cantada por José Mário Branco.
A tradução que vos proponho da canção é mais próxima que a do referido cantor e poeta português dado que a letra portuguesa fazia referência explicita à guerra colonial. Pessoalmente prefiro (até porque esta canção na altura tinha uma intenção semelhante) manter uma versão neutra. No mesmo tipo de tema (canções anti-bélicas) podem também ouvir "Mourir pour des idées oui, mais de mort lente".
Oiçam esta canção de Boris Vian aqui.
Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Sr. Presidente
Estou a escrever-lhe uma carta
Que talvez lirá
se tiver tempo
Acabei de receber
os papeis do exercito
para partir para a guerra
até quarta-feira à noite
Sr. Presidente
Não quero fazer a guerra
Não estou na terra
para matar as pobres pessoas
Não o quero zangar
mas preciso de lhe dizer
que a minha decisão está tomada
vou desertar
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Desde que nasci
já vi o meu pai morrer
já vi os meus irmãos partir
e os meus filhos chorar
a minha mãe sofreu tanto
e seu túmulo
goza das bombas
goza dos versos
quando fui prisioneiro
roubaram a minha mulher
roubaram a minha alma
e todo o meu passado
Amanhã de madrugada
fecharei a porta
no nariz dos anos perdidos
e partirei pelos caminhos
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
Irei mendigar a minha vida
nas estrada de França
Da Bretanha à Provence
e direi às pessoas:
"recusai obedecer
recusai fazê-la
não ides à guerra
recusai partir
Se for preciso dar sangue
então dê o seu
sr. presidente
se me perseguir
avise os seus polícias
que não tenho arma
e que poderão facilmente atirar
Não significa isto que por vezes não seja absolutamente necessário optarmos por essa via (a história mostra-nos infelizmente que há casos em que é assim), significa antes que sempre que nos digam que os fins que pretendemos atingir justificam os meios que utilizamos, sobretudo quando se sublinha "é a ÚNICA maneira" devemos sempre desconfiar. Os meios têm de ser sempre justos por si próprios, nunca função do fim a que nos propomos.
Esta canção escrita em 1954 é uma canção contra a Guerra da Argélia. Boris Vian (1920-1959) é um autor de canções e de poesia relativamente pouco conhecido. A Espuma dos Dias um romance simultaneamente de ficção cientifica e prosa poética é possivelmente a sua obra mais conhecida. Esta canção de todas as que escreveu é possivelmente a mais interpretada tendo inclusivamente conhecido uma versão portuguesa cantada por José Mário Branco.
A tradução que vos proponho da canção é mais próxima que a do referido cantor e poeta português dado que a letra portuguesa fazia referência explicita à guerra colonial. Pessoalmente prefiro (até porque esta canção na altura tinha uma intenção semelhante) manter uma versão neutra. No mesmo tipo de tema (canções anti-bélicas) podem também ouvir "Mourir pour des idées oui, mais de mort lente".
Oiçam esta canção de Boris Vian aqui.
Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Sr. Presidente
Estou a escrever-lhe uma carta
Que talvez lirá
se tiver tempo
Acabei de receber
os papeis do exercito
para partir para a guerra
até quarta-feira à noite
Sr. Presidente
Não quero fazer a guerra
Não estou na terra
para matar as pobres pessoas
Não o quero zangar
mas preciso de lhe dizer
que a minha decisão está tomada
vou desertar
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Desde que nasci
já vi o meu pai morrer
já vi os meus irmãos partir
e os meus filhos chorar
a minha mãe sofreu tanto
e seu túmulo
goza das bombas
goza dos versos
quando fui prisioneiro
roubaram a minha mulher
roubaram a minha alma
e todo o meu passado
Amanhã de madrugada
fecharei a porta
no nariz dos anos perdidos
e partirei pelos caminhos
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
Irei mendigar a minha vida
nas estrada de França
Da Bretanha à Provence
e direi às pessoas:
"recusai obedecer
recusai fazê-la
não ides à guerra
recusai partir
Se for preciso dar sangue
então dê o seu
sr. presidente
se me perseguir
avise os seus polícias
que não tenho arma
e que poderão facilmente atirar
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Faleceu João Aguardela (1969-2009)
Neste blog em que procuramos demonstrar que na música popular também há grandes poetas, grandes compositores, João Aguardela tem certamente um lugar. Faleceu logo a seguir ao post sobre Ferré. Ficou em boa companhia, ele teria - penso - gostado.
Dos Sitiados confesso que guardo apenas memória de uma versão de uma música do José Afonso, mas essa ouvi-a sem exagero centenas de vezes. É um dos CDs que volta e meia está a rodar no leitor de CD´s do meu carro ...
Que descanse em paz.
Leiam no Público aqui um obituário mais detalhado
Dos Sitiados confesso que guardo apenas memória de uma versão de uma música do José Afonso, mas essa ouvi-a sem exagero centenas de vezes. É um dos CDs que volta e meia está a rodar no leitor de CD´s do meu carro ...
Que descanse em paz.
Leiam no Público aqui um obituário mais detalhado
sábado, 17 de janeiro de 2009
Leo Ferré - Avec le Temps (1970)
A seguir a Brel, Brassens, Piaf só poderia ser Leo Ferré. Tenho neste caso como nos outros muita dificuldade em escolher uma canção, apenas uma canção, tenho mais de dez que me vêm imediatamente à memória. Dos quatro artistas de que falei aqui este foi o que consegui ver no Coliseu dos Recreios num concerto que não vou esquecer tão cedo !
Entre elas muitas dos grandes poetas que musicou: Baudelaire, Rimbaud, Appolinaire, Aragon, Verlaine entre outros sendo possivelmente responsável por um muito maior conhecimento
Porem para começar decidi que deveria ser uma canção com poema de Leo Ferré também. Mesmo assim ainda tenho o embaraço da escolha.
Esta canção, Avec le Temps é de 1970 fazendo parte de um dos discos mais relevantes de Léo Ferré o duplo album Amour Anarchie . Oiçam aqui esta canção interpretada pelo próprio (foi cantada por outros, inclusivamente a nossa Eugénia Melo e Castro numa das suas canções retoma uma parte desta canção) mas gosto de ouvir na versão "original".
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur quand ça bat plus s'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin faut laisser faire et c'est très bien
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Esquecemos a cara e esquecemos a voz
Quando o coração já não bate já não vale a pena ir
Procurar mais longe é preciso deixar e é muito bom
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
L'autre qu'on adorait qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
O outro que adorávamos que procurávamos à chuva
O outro que adivinhávamos na sombra de um olhar
Entre as palavras entre as linhas e no cansaço
De um sermão maquilhado que vai fazer a sua noite
Com o tempo tudo desvanece
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
Même les plus chouettes souvenirs ça t'as une de ces gueules
A la Galerie Farfouille dans les rayons de la mort
Le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Mesmo as melhores recordações tens uma destas caras
No centro comercial confusão no linear da morte
Sábado à noite quando a ternura se vai embora sozinha
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on se traînait comme traînent les chiens
Avec le temps va tout va bien
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
O outro em que acreditávamos por uma constipação por um nada
O outro a quem dávamos o vento e jóias
Por quem teríamos vendido a alma para alguns tostões
À frente de quem rastejávamos como rastejam os cães
Com o tempo tudo se resolve
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard surtout ne prends pas froid
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Esquecemos as paixões e esquecemos as vozes
Que nos diziam muito baixo as palavras das pobres pessoas
Não voltes muito tarde sobretudo não apanhes frio
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
E sentimo-nos brancos com um cavalo cansado
E sentimo-nos gelados numa cama de ocasião
E sentimo-nos sós talvez mas tranquilos
E sentimo-nos roubados dos anos perdidos
Alors vraiment
Avec le temps on n'aime plus...
Então verdadeiramente
Com o tempo já não amamos
Entre elas muitas dos grandes poetas que musicou: Baudelaire, Rimbaud, Appolinaire, Aragon, Verlaine entre outros sendo possivelmente responsável por um muito maior conhecimento
Porem para começar decidi que deveria ser uma canção com poema de Leo Ferré também. Mesmo assim ainda tenho o embaraço da escolha.
Esta canção, Avec le Temps é de 1970 fazendo parte de um dos discos mais relevantes de Léo Ferré o duplo album Amour Anarchie . Oiçam aqui esta canção interpretada pelo próprio (foi cantada por outros, inclusivamente a nossa Eugénia Melo e Castro numa das suas canções retoma uma parte desta canção) mas gosto de ouvir na versão "original".
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur quand ça bat plus s'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin faut laisser faire et c'est très bien
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Esquecemos a cara e esquecemos a voz
Quando o coração já não bate já não vale a pena ir
Procurar mais longe é preciso deixar e é muito bom
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
L'autre qu'on adorait qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
O outro que adorávamos que procurávamos à chuva
O outro que adivinhávamos na sombra de um olhar
Entre as palavras entre as linhas e no cansaço
De um sermão maquilhado que vai fazer a sua noite
Com o tempo tudo desvanece
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
Même les plus chouettes souvenirs ça t'as une de ces gueules
A la Galerie Farfouille dans les rayons de la mort
Le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Mesmo as melhores recordações tens uma destas caras
No centro comercial confusão no linear da morte
Sábado à noite quando a ternura se vai embora sozinha
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on se traînait comme traînent les chiens
Avec le temps va tout va bien
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
O outro em que acreditávamos por uma constipação por um nada
O outro a quem dávamos o vento e jóias
Por quem teríamos vendido a alma para alguns tostões
À frente de quem rastejávamos como rastejam os cães
Com o tempo tudo se resolve
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard surtout ne prends pas froid
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
Esquecemos as paixões e esquecemos as vozes
Que nos diziam muito baixo as palavras das pobres pessoas
Não voltes muito tarde sobretudo não apanhes frio
Avec le temps...
Avec le temps va tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues
Com o tempo
Com o tempo tudo parte
E sentimo-nos brancos com um cavalo cansado
E sentimo-nos gelados numa cama de ocasião
E sentimo-nos sós talvez mas tranquilos
E sentimo-nos roubados dos anos perdidos
Alors vraiment
Avec le temps on n'aime plus...
Então verdadeiramente
Com o tempo já não amamos
sábado, 10 de janeiro de 2009
Edith Piaf - La Vie en Rose
Esta canção de Edith Piaf (o poema é dela) a música é de Louis Gugliemi (também conhecido por "Louiguy" embora se pense que Marguerite Monnot também tenha participado na composição. A canção data de 1946 e para surpresa de Edith Piaf e dos seus próximos tornou-se um êxito sendo hoje uma das canções mais conhecidas não só de Edith mas mesmo da canção francesa.
O número de versões existentes é disso testemunho indo desde Armstrong até Pavarotti passando por outros nomes como Diana Krall, Donna Summer, Marlene Dietrich, Aznavour ...
Oiçam aqui esta canção numa interpretação extraída do filme "9 Garçons 1 Coeur" de 1948.
Des yeux qui font baiser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voila le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens
Uns olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde na sua boca
Eis o retrato sem correcções
Do homem a que pertenço
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Quando ele me toma nos seus braços
Fala-me baixinho
e vejo a vida cor-de-rosa
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ca me fait quelque chose.
Diz-me palavras de amor
palavras de todos os dias
e isso faz-me alguma coisa
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Entrou no meu coração
uma parte de felicidade
da qual sei a razão
C'est lui pour moi. Moi pour lui
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré pour la vie.
Sou eu para ele. Ele para mim
na vida
Ele disse-mo. Jurou-me para a vida.
Et des que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
E assim que o vejo
Então sinto
Bater o meu coração
Des nuits d'amour a ne plus en finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des enuis des chagrins, des phases
Heureux, heureux a en mourir.
Noites de amor sem fim
Uma grande felicidade que ganha o seu lugar
Aborrecimentos, desgostos, algumas fases
feliz, feliz, tão feliz que poderia morrer
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Quando ele me toma nos seus braços
Fala-me baixinho
e vejo a vida cor-de-rosa
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ca me fait quelque chose.
Diz-me palavras de amor
palavras de todos os dias
e isso faz-me alguma coisa
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Entrou no meu coração
uma parte de felicidade
da qual sei a razão
C'est toi pour moi. Moi pour toi
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a jure pour la vie.
Sou eu para ele. Ele para mim
na vida
Ele disse-mo. Jurou-me para a vida.
Et des que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
E assim que o vejo
Então sinto
Bater o meu coração
O número de versões existentes é disso testemunho indo desde Armstrong até Pavarotti passando por outros nomes como Diana Krall, Donna Summer, Marlene Dietrich, Aznavour ...
Oiçam aqui esta canção numa interpretação extraída do filme "9 Garçons 1 Coeur" de 1948.
Des yeux qui font baiser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voila le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens
Uns olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde na sua boca
Eis o retrato sem correcções
Do homem a que pertenço
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Quando ele me toma nos seus braços
Fala-me baixinho
e vejo a vida cor-de-rosa
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ca me fait quelque chose.
Diz-me palavras de amor
palavras de todos os dias
e isso faz-me alguma coisa
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Entrou no meu coração
uma parte de felicidade
da qual sei a razão
C'est lui pour moi. Moi pour lui
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré pour la vie.
Sou eu para ele. Ele para mim
na vida
Ele disse-mo. Jurou-me para a vida.
Et des que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
E assim que o vejo
Então sinto
Bater o meu coração
Des nuits d'amour a ne plus en finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des enuis des chagrins, des phases
Heureux, heureux a en mourir.
Noites de amor sem fim
Uma grande felicidade que ganha o seu lugar
Aborrecimentos, desgostos, algumas fases
feliz, feliz, tão feliz que poderia morrer
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Quando ele me toma nos seus braços
Fala-me baixinho
e vejo a vida cor-de-rosa
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ca me fait quelque chose.
Diz-me palavras de amor
palavras de todos os dias
e isso faz-me alguma coisa
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Entrou no meu coração
uma parte de felicidade
da qual sei a razão
C'est toi pour moi. Moi pour toi
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a jure pour la vie.
Sou eu para ele. Ele para mim
na vida
Ele disse-mo. Jurou-me para a vida.
Et des que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
E assim que o vejo
Então sinto
Bater o meu coração
sábado, 3 de janeiro de 2009
Georges Brassens (1921-1981) - Je me suis fait tout petit
Nos próximos tempos vou continuar na música de expressão francesa, por razões meramente cronológicas (foram as canções da minha infância, algumas delas ...). A tradução a partir do original em francês é minha.
Georges Brassens
JE ME SUIS FAIT TOUT PETIT (1955)
Oiçam aqui esta canção interpretada por Brassens.
Canção dedicada a Joha Heiman (1911-1999) Estoniana por quem se apaixonou, e a quem foi fiel a partir dessa data, apesar de nunca ter casado ou sequer vivido com ela (Brassens conheceu-a em 1947 ou seja oito anos antes desta canção).
Je n'avait jamais ôté mon chapeau
Devant personne
Maintenant je rampe et je fait le beau
Quand elle me sonne
J'étais chien méchant elle me fait manger
Dans sa menotte
J'avais des dents de loup, je les ai changées
Pour des quenottes!
Nunca tinha tirado o meu chapéu
para ninguém
Agora rastejo e faço habilidades
quando ela me chama
Era um cão vadio agora ela faz-me comer
com as suas algemas
Tinha dentes de lobo e mudei-os
para dentes de leite
[Refrão]
Je me suis fait tout petit devant une poupée
Qui ferme les yeux quand on la couche
Je me suis fait tout petit devant une poupée
Qui fait Maman quand on la touche.
Fiz-me muito pequeno face a uma boneca
Que fecha os olhos quando a deitamos
Fiz-me muito pequeno face a uma boneca
Que diz mamã quando a tocamos
J'étais dur à cuire elle m'a converti
La fine mouche
Et je suis tombé tout chaud, tout rôti
Contre sa bouche
Qui a des dents de lait quand elle sourit
Quand elle chante
Et des dents de loup, quand elle est furie
Qu'elle est méchante.
Eu não era pêra doce mas ela converteu-me
a velha raposa
e caí quente e pronto a comer
contra a sua boca
que tem dentes de leite quando sorri
quando canta
e dentes de lobo quando está furiosa
quando é maldosa
[Refrão]
Je subis sa loi, je file tout doux
Sous son empire
Bien qu'elle soit jalouse au-delà de tout
Et même pire
Une jolie pervenche qui m'avait paru
Plus jolie qu'elle
Une jolie pervenche un jour en mourut
A coup d'ombrelle.
Respeito as suas leis, sou cordeiro manso
sobre as suas ordens
Mesmo que ela seja ciumenta acima de tudo
e mesmo pior
Uma bela murta que me havia parecido
mais bela que ela
Uma bela murta um dia morreu
a golpes de guarda-chuva
[Refrão]
Tous les somnambules, tous les mages m'ont
Dit sans malice
Qu'en ses bras en croix, je subirais mon
Dernier supplice
Il en est de pires il en est de meilleures
Mais à tout prendre
Qu'on se pende ici, qu'on se pende ailleurs
S'il faut se pendre.
Todos os sonâmbulos, todos os mágicos
disseram-me sem malícia
que nos seus braços em cruz
passarei meu ultimo suplício
Há piores, Há melhores
mas já que é preciso
que nos enforquemos aqui, melhor aqui que ali
se é mesmo necessária a forca
[Refrão]
Georges Brassens
JE ME SUIS FAIT TOUT PETIT (1955)
Oiçam aqui esta canção interpretada por Brassens.
Canção dedicada a Joha Heiman (1911-1999) Estoniana por quem se apaixonou, e a quem foi fiel a partir dessa data, apesar de nunca ter casado ou sequer vivido com ela (Brassens conheceu-a em 1947 ou seja oito anos antes desta canção).
Je n'avait jamais ôté mon chapeau
Devant personne
Maintenant je rampe et je fait le beau
Quand elle me sonne
J'étais chien méchant elle me fait manger
Dans sa menotte
J'avais des dents de loup, je les ai changées
Pour des quenottes!
Nunca tinha tirado o meu chapéu
para ninguém
Agora rastejo e faço habilidades
quando ela me chama
Era um cão vadio agora ela faz-me comer
com as suas algemas
Tinha dentes de lobo e mudei-os
para dentes de leite
[Refrão]
Je me suis fait tout petit devant une poupée
Qui ferme les yeux quand on la couche
Je me suis fait tout petit devant une poupée
Qui fait Maman quand on la touche.
Fiz-me muito pequeno face a uma boneca
Que fecha os olhos quando a deitamos
Fiz-me muito pequeno face a uma boneca
Que diz mamã quando a tocamos
J'étais dur à cuire elle m'a converti
La fine mouche
Et je suis tombé tout chaud, tout rôti
Contre sa bouche
Qui a des dents de lait quand elle sourit
Quand elle chante
Et des dents de loup, quand elle est furie
Qu'elle est méchante.
Eu não era pêra doce mas ela converteu-me
a velha raposa
e caí quente e pronto a comer
contra a sua boca
que tem dentes de leite quando sorri
quando canta
e dentes de lobo quando está furiosa
quando é maldosa
[Refrão]
Je subis sa loi, je file tout doux
Sous son empire
Bien qu'elle soit jalouse au-delà de tout
Et même pire
Une jolie pervenche qui m'avait paru
Plus jolie qu'elle
Une jolie pervenche un jour en mourut
A coup d'ombrelle.
Respeito as suas leis, sou cordeiro manso
sobre as suas ordens
Mesmo que ela seja ciumenta acima de tudo
e mesmo pior
Uma bela murta que me havia parecido
mais bela que ela
Uma bela murta um dia morreu
a golpes de guarda-chuva
[Refrão]
Tous les somnambules, tous les mages m'ont
Dit sans malice
Qu'en ses bras en croix, je subirais mon
Dernier supplice
Il en est de pires il en est de meilleures
Mais à tout prendre
Qu'on se pende ici, qu'on se pende ailleurs
S'il faut se pendre.
Todos os sonâmbulos, todos os mágicos
disseram-me sem malícia
que nos seus braços em cruz
passarei meu ultimo suplício
Há piores, Há melhores
mas já que é preciso
que nos enforquemos aqui, melhor aqui que ali
se é mesmo necessária a forca
[Refrão]
Etiquetas:
Brassens,
Je me suis fait tout petit
Subscrever:
Mensagens (Atom)
